quinta-feira, 31 de julho de 2008

A Folha que Sobrou do Caderno

Gente, bom dia.
Eu sei que ainda não postei absolutamente nada do meu TCC, mas é que a correria é grande e o patrão é presente.

Mas enfim.
Segue um documentário que assisti hoje sobre o debate acerca do estudante de Design no Brasil. Pertinente até para o próximo ZooCast, não é mesmo minha gente?
Algumas coisas sempre me incomodaram quando eu estava na faculdade, como alunos completamente absortos e fora de órbita, que se conformavam com um 10 de um trabalho perfeito mas que não colocava nada em questão, não propunha nada. Eu mesma já fiz isso mil vezes... não questionar às vezes parece a maneira mais rápida de se resolver um problema.
Eu tive muita DP na facul...muita mesmo... Porque quando eu percebia que eu não iria poder [ou querer] me dedicar àquela matéria, eu abandonava mesmo... Quando eu sabia que iria fazer por fazer, simplesmente não aparecia mais [né Betão e Valéria?]. Um pouco exagerada, eu sei...aliás, beeeeem exagerada, ok. Mas a questão vai além, talvez essa questão resida no problema do formato das aulas, onde o professor fala e o aluno ouve, aliás, o aluno quer só ouvir mesmo, pois quando proposto debate, só se ouvem os grilinhos... talvez pelo tradicionalismo que os próprios alunos estão inseridos... neste modelo quadradinho onde eu faço provas pra provar que sou bom e não me convido a questionar os porquês e suas relevâncias...em como aluno e professor se relacionam, sei lá...
Por isso, esse documentário mexeu tanto comigo... Ok, ok, alguns trechos são pura utopia, mas pô, os caras se propuseram a questionar. E isso, é a única solução para muitos dos problemas de hoje.

"Todos os anos uma leva de designers se forma nos quatro cantos do Brasil e uma pergunta inquietante não quer calar: estarão esses futuros profissionais sendo preparados para enfrentar as múltiplas realidades do nosso país? Existiria uma estrutura de curso ideal para formar os profissionais de design adequados à nossa realidade? A quem interessa manter um formato de ensino ultrapassado e ineficiente? Você já parou para pensar em seu papel diante disso tudo? "A folha que sobrou do caderno" é um instigante documentário resultante de uma inquietação pessoal em congruência com uma preocupação coletiva: precisamos discutir e reformar o ensino de design no Brasil. São colocadas opiniões sobre modelos ideais de cursos e o papel que professores e estudantes desempenhariam nesses modelos, bem como discussão sobre formação tecnológica e teórica. A estrutura atual do ensino, questionamentos sobre pesquisa e atualização tanto por parte dos professores como dos estudantes também são abordados. A organização estudantil como transformadora da realidade e o Movimento Estudantil fornecem o fechamento das discussões. Em "A folha que sobrou do caderno", História, depoimentos e atitudes são os principais ingredientes para alcançar a maior proposta do filme: PROVOCAR. "


4 comentários:

Valéria Fialho disse...

O filme é interessante , traz alguns depoimentos muito bons ( outros nem tanto)...
Acho legal mostrar uma certa diversidade de opiniões, de profissionais/professores de diversas gerações, de alunos.
Pra mim, educação é envolvimento e parceria ... nada acontece se não tivermos um comprometimento de todo envolvidos no processo.
Eu sempre acreditei , como professora, na troca de experiências ... acredito que o professor não deve ensinar receitas e sim apontar caminhos ...
E pra encerrar: tem que se apaixonar pela profissão, tem que gostar ... e tem que trabalhar muito pra saber fazer bem ... porque só assim é possível transformar alguma coisa ...

Betão Fialho disse...

Acabo de assistir ao documentário e pude rever algumas pessoas conhecidas como o Prof. Ary Rocha e alguns alunos que participam ativamente dos NDesign. A questão do ensino não pode ser considerada apenas na ótica do ensino do design, pois o problema é estrutural. Como foi dito a universidade no Brasil passa por uma crise que não vem de hoje, e sim desde 1968 com a famigerada reestruturação do ensino. A "privatização" absurda com o MEC liberando novas faculdades sem nenhum critério e o sucateamento das instituições públicas fizeram com que chegassemos aonde chegamos. O curso de desing é outro entre tantos que padece com absoluta distância entre a universidade e a realidade, não apenas do mercado pas da sociedade. O diploma hoje em dia não é sinal de qualificação e sim de status, vende-se o direto de idzer que você é um profissional, só que incompleto pois não sabe o que fazer com este diploma. Aí entra na roda viva da pós-graduação pois já que não tem formação , não tem emprego e não sabe fazer muita coisa, o melhor é continuar estudando.
Eu sou suspeito para falar e a Valéria sempre diz que eu tenho que me conter, mas para mim 80% dos professores precisariam, usando um tema atualíssimo, serem reciclados como garrafas pet, tubos de pasta de dente, etc,

Betão Fialho disse...

Ah, faltou uma coisa, agora específica para quem trabalha ou estuda na área de design arquitetura e etc, enquanto o ingresso no curso ficar restrito a uma avalição tipo vestibular e outros métodos continuaremos, nós professores, com a sensação de que falamos para 5% ou 10% de alunos realmente interessados e com talento para a coisa. Para o restante temos sempre o bom e velho balde de sardinhas!

Silvio disse...

hahahahahahahahahaha

para outros nem sardinhas, pq cone não come....